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sábado, 2 de maio de 2026

Eldorado:Pais estão sendo alertados a devolver brinquedos

2007-10-16 04:05:00

Um garoto de cinco anos ganhou na escola, no município de Eldorado (464 km de Campo Grande), um carrinho de fricção como presente do Dia da Criança. Dentro dele, porém, a surpresa: o brinquedo escondia droga e dinheiro falso.

O carrinho era um dos 900 brinquedos doados pela Receita Federal para a Prefeitura de Eldorado distribuir nas escolas municipais de educação infantil da cidade. Os pais estão sendo alertados, por meio de anúncios em rádio, a entregar os outros brinquedos à polícia.

Em outro brinquedo, que ainda não havia sido distribuído, foi encontrada uma substância de cor marrom, com pequenos pregos misturados. Suspeita-se de que se trata de explosivos.

O menino Guilherme descobriu que o seu fusca de fricção (que se movimenta por atrito com o chão) escondia drogas ao tentar, com a ajuda do pai, desmontar o brinquedo, que não funcionava. Dentro estavam 20 notas falsas de R$ 50 e 30 gramas de uma substância branca que a polícia diz ser cocaína. Uma perícia irá confirmar isso.

O menino recebeu o presente durante festa de comemoração do Dia da Criança, na quarta-feira, feita na Escola Municipal Pingo de Gente, onde estuda.

Em casa, tentou brincar, mas o carrinho não funcionou. "À noite, ele pediu pra eu arrumar, mas eu estava cansado", conta o pai Sebastião Tobias Vieira, 29.

Anteontem, quando foi arrumar o brinquedo, Vieira diz que tomou um susto. Ao desparafusar a parte de baixo do carrinho, o papelote com a substância e as notas falsas caíram no chão. Ele afirma que, a princípio, teve receio de procurar a delegacia. "Não sabia o que fazer. Fiquei com medo. Vai saber qual é a reação da polícia".

Vieira diz que falou com um oficial da PM que mora no bairro e cujo filho também recebeu um brinquedo na escola. A PM apreendeu o carrinho.

O carrinho seria o único brinquedo que Guilherme receberia de presente de Dia da Criança, disse o pai, que trabalha em um frigorífico e ganha cerca de R$ 500 por mês. Para compensar a perda, a madrinha da criança e colegas de sala se juntaram e deram uma lousa de brinquedo para ele.

Doação – A Prefeitura de Eldorado afirma que a doação foi feita a pedido das escolas. Os brinquedos estavam no depósito da Receita e tinham sido apreendidos na região da fronteira. A PM diz que a principal hipótese é que parte dos brinquedos tenha sido usada para traficar drogas e tenha sido apreendida por ser contrabandeada.

Para o subcomandante da Polícia Militar, Neuri Luís Roseni, há a possibilidade de mais brinquedos doados conterem drogas e dinheiro falso.

Parte da doação ainda não foi distribuída, mas a prefeitura não sabe precisar o número. Alguns desses brinquedos já foram vistoriados.

Outro lado – O delegado da Receita Federal em Dourados (MS), Marcelo Rodrigues de Brito, afirmou ontem que o órgão não tem condições de fiscalizar todo o material apreendido que é posteriormente destinado a doação ou leilão. Ele disse que "com certeza não houve má-fé" na distribuição dos brinquedos, mas admitiu que "há sempre o risco" de haver drogas escondidas em mercadorias trazidas do Paraguai e apreendidas em Mato Grosso do Sul.

Segundo o delegado, os fiscais podem não descobrir que há droga escondida ao destinar produtos para doação ou leilão, pois não é feito um controle de cada item apreendido.

"Não é a primeira vez [que isso acontece]. Já aconteceu de carros irem a leilão e encontrarem drogas escondidas neles".

Ocorrem diariamente, de acordo com Brito, apreensões de grande quantidade de brinquedos trazidos do Paraguai para venda em bancas de camelôs nas cidades brasileiras. A cidade de Eldorado está situada na região da fronteira.

O brinquedo com a cocaína e o dinheiro falso doado à escola saiu provavelmente do depósito da Receita em Mundo Novo (MS), segundo o delegado. Em março, saiu do mesmo depósito material escolar apreendido em fiscalização na fronteira que acabou doado à Secretaria da Educação de Mundo Novo.

De acordo com Brito, os depósitos da Receita não têm espaço para tantas mercadorias apreendidas e, por essa razão, após concluído o processo administrativo de apreensão, os produtos são doados. A Receita só destrói cigarros.

Há uma cota de US$ 300 (R$ 537) em mercadorias que cada pessoa pode trazer do Paraguai. As apreensões ocorrem quando os fiscais verificam que elas são destinadas à venda no Brasil. Só em julho, afirmou, o volume de apreensões superou o de todo o ano passado. Isso ocorreu, disse, em razão da fiscalização mais rigorosa em Foz do Iguaçu (PR), levando os sacoleiros a utilizar uma nova rota.

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