2007-10-12 15:07:00
O Horário Brasileiro de Verão começa neste domingo (14). À meia noite de sábado os relógios deverão ser adiantados em uma hora, e devem ficar assim até o dia 16 de fevereiro de 2008 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A alteração de horário provoca impactos em todo o organismo e a adaptação não é automática.
Desde 1985 o Horário de Verão é implantado na segunda quinzena de outubro. Excepcionalmente no ano passado, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral, ele foi adiado por três semanas, por causa do segundo turno das eleições.
Mesmo após 37 anos de implantação, o novo horário ainda provoca polêmica entre os brasileiros.
A implantação do horário de Verão tem como principal meta a redução do consumo de energia nos horários de pico de carga do sistema elétrico brasileiro. A associação de fatores como a mudança no comportamento dos consumidores e o término do expediente de trabalho mais cedo,ainda com luz natural, e o retardo do início da utilização pública de luz reduz o consumo de energia elétrica.
De acordo com o Secretário de Energia do ministério de Minas e Energia, Ronaldo Schuck, a economia que o país fará durante os quatro meses é muito significativa. "A exemplo dos anos anteriores, devemos ter uma redução no consumo de algo próximo a 5% no período da noite, que é quando efetivamente se justifica a implantação do horário de verão".
Isso significa, somados os estados que estão submetidos ao horário, uma economia de 2 mil MW, o que equivale a produção de 3 turbinas de Itaipu.
Além do Distrito Federal, o horário de verão abrange os mesmos estados dos últimos dois anos; Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Nesses estados é possível um aproveitamento maior da luz solar nessa época do ano. A mudança de horário no período de verão é um recurso adotado por diversos paises do hemisfério Norte (de março a outubro) e do Hemisfério Sul (outubro a março). Entre eles, muitos da Europa, os Estados Unidos, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Paraguai e Uruguai.
ALTERAÇÕES NO ORGANISMO- A antipatia de muitos pelo horário de verão pode não ser mera implicância. Mais do que exigir uma reprogramação do corpo para dormir e acordar uma hora mais cedo, a alteração de horário provoca impactos em todo o organismo e a adaptação não é automática.
Segundo o neurologista Luciano Ribeiro Pinto, do Instituto do Sono, o organismo trabalha dentro de um ritmo de 24 horas e a mudança de horário atrapalha esse funcionamento.
“É como se todo esse ritmo começasse mais cedo, o que afeta todo o organismo. Mexe com a produção e a curva de hormônio, a produção de melatonina etc. No relógio mecânico, basta adiantar ou atrasar uma hora. No nosso relógio biológico não é só dar uma volta no ponteiro.”
O médico disse que a maior parte da população dorme entre 23h e 7h, em média, mas existe um grupo com características próprias – correspondente a 10% da população brasileira – que acaba dormindo muito cedo ou muito tarde.
“90% da população tem uma certa flexibilidade, demora uma semana, mas acaba se adaptando até o organismo entrar no ritmo novo. Mas, especialmente os que dormem tarde e acordam tarde, têm uma dificuldade maior de adaptação, justamente porque já têm dificuldade de dormir cedo”, afirmou.
Para o neurologista, principalmente quem costuma acordar sem despertador precisa redobrar o cuidado nos primeiros dias após o horário de verão entrar em vigor. “Há uma tendência natural a dormir tarde. É o que acontece nas férias e nos finais de semana. As crianças também, até porque o horário escolar já é muito cedo.”
Os profissionais que atuam em áreas que exigem muita atenção e que impõem rotinas muito irregulares de trabalho, como motoristas e plantonistas, estão entre os mais prejudicados pela mudança de horário.
Genética e hábitos- Para a professora titular de nutrição da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais (SBAF), Jocilem Salgado, a sensação que muitos têm de que uma parcela da população nasceu para acordar cedo e outra para acordar tarde é verdadeira e é decorrente de hábitos arraigados e da herança genética.
“Não é só crença, é pura verdade, garantem os que estudam esse processo que chamam de ‘relógio biológico’ ou ‘ritmo circadiano’, isto é, o ritmo adequado a cada organismo e que determina quando uns sentem mais sono e outros mais disposição”, disse.
De acordo com ela, durante o horário de verão os mais sensíveis a mudanças no relógio devem estar preparados para uma transição de 10 a 15 dias.
Dicas para amenizar os transtornos- Um truque de Salgado é colocar o despertador para tocar pelo menos 15 minutos antes da hora. “O ruído e o próprio processo de despertar, aumentam a quantidade de cortisol, um hormônio cuja produção cresce em situações de estresse. Quando chegar a hora de deixar a cama, o organismo já estará com mais energia e disposição para aceitar a determinação de que é preciso levantar.”
Outra dica para os primeiros dias do horário de verão é evitar bebidas alcoólicas e comidas pesadas. “O álcool pode dar a sensação de um gostoso relaxamento, mas pode retardar o sono. É bom procurar não pular as refeições. Isso pode causar queda no nível de açúcar, o que resultará em cansaço, e não reservar um prato pesado como último do dia, você terá mais dificuldades para adormecer.”
Um banho quente antes de ir para cama pode ser uma boa alternativa caso o sono esteja demorando para chegar. “Não tenha pressa, esqueça o relógio. Feche bem as cortinas, escureça seu quarto, não tente ficar lendo e vendo TV ao mesmo tempo. E não fique cobrando resultados.”
Segundo a professora, o caso dos plantonistas é mais difícil porque não há como disciplinar ou treinar o organismo para se adaptar a situações que variam a cada semana e que não têm um ciclo definido.
“Ainda assim, não passando longos períodos sem alimentação, e evitando pratos pesados em diferentes horários, essas pessoas podem se sentir mais fortalecidas para responder às necessidades impostas pelos horários.”













