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domingo, 26 de abril de 2026

Golpista de MS fez mais de 20 vítimas só em São Paulo

2007-08-27 11:28:00

A imprensa nacional e a alta sociedade paulistana continua impressionada com a sul-mato-grossense Kelly Samara Carvalho dos Santos, de apenas 19 anos, e atualmente a estelionatária mais famosa do país. A jovem bonita e bem vestida, que se passava por milionária para roubar quem caísse na conversa dela, chamou a atenção pela ousadia dos golpes. Entre os disfarces que usou, ela se passaou por estudante de direito, empresária, fazendeira, e até filha do presidente do Paraguai.

“Você, safada, me roubou. Subestimou minha inteligência. Eu fui inocente perto da sua maldade”, disparou Amena Campos de Souza, de 84 anos, quando ficou frente a frente com Kelly, que roubou um talão de cheques da aposentada.
Segundo as autoridades, Kelly prejudicou mais gente durante os seis meses em que atuou no Bairro dos Jardins, um dos mais chiques e ricos do Brasil, na Zona Oeste de São Paulo. Confiante demais, nesta semana a jovem viu todos os disfarces ruírem quando foi até o 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, acusar sua própria advogada de roubo.

Era a tentativa de mais um golpe. Kelly tentava arrumar um jeito de não pagar o que devia. “Não esperava este tipo de comportamento. Não é comum entre advogado e cliente”, disse a advogada Yara Alves Brasil.
A delegada de plantão desconfiou da história e começou a investigar a menina do Interior. Era o começo do fim da vida cheia de glamour e golpes de Kelly Samara Carvalho dos Santos. “A gente vai puxando e parece que a linha não acaba mais”, diz a delegada Aline Martins Gonçalves.

Mais de 20 vítimas já apareceram, só em São Paulo. Mas a polícia afirma que ainda é impossível dizer quantas pessoas foram enganadas ou qual a quantia que Kelly roubou. “É uma menina de 19 anos, bonita, por isso conseguia chegar fácil nos homens”, diz a delegada.

E não só nos homens. Com Amena, ela usou uma tática diferente. “Eu, atravessando a rua, tropecei a dois quarteirões daqui e apareceu aquela moça, correndo, me ajudar a levantar. Eu agradeci muito e ela me trouxe até em casa. Depois de uns dias ela voltou, entrou, sentou”, conta.

Boa de conversa, Kelly descobriu alguns segredos, como o talão de cheques, que ficava guardado atrás de um quadro na casa da aposentada. Segundo Amena, Kelly furtou o talão enquanto a idosa estava no banheiro.
Kelly sabia como cativar suas vítimas. O dono de uma galeria de arte, que prefere não aparecer, também caiu na conversa. Durante um namoro-relâmpago com Kelly, teve vários cheques roubados, além de uma gravura, agora recuperada pela polícia, do pintor catalão Joan Miró, avaliada em R$ 36 mil.

Com pouca idade, mas muita experiência nos golpes, Kelly começou cedo, aos 12 anos, em Amambai, Mato Grosso do Sul, onde nasceu. Segundo Maria Rosa Flores, ex-diretora de uma escola onde Kelly estudou, a então estudante não conhecia regras. "Ela tentava ludibriar todo mundo".

Em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS), uma equipe da rede Globo tentou falar com a mãe da estelionatária para reportagem exibida neste domingo (26) no Fantástico. Ela não estava em casa, e a a única que aceitou falar foi uma tia, Leodonir Carvalho. "Ela desobedecia professores, sempre furtava alguma coisa, sempre dava muito problema desde pequena", disse.

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