2007-08-22 19:37:00
A jovem Kelly Samara Carvalho dos Santos, de 19 anos, que foi presa em flagrante nesta quarta-feira (22) sob suspeita de praticar golpes na região dos Jardins, na Zona Oeste de São Paulo, foi transferida para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte. Ela foi indiciada pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e por três furtos.
Ela disse na saída do 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, onde foi indiciada, que cometia os crimes havia dois anos. A jovem disse que queria chamar a atenção dos pais, que moram em Mato Grosso do Sul.
A suspeita já havia sido presa no dia 1º deste mês e solta no dia 9, por estelionato e falsidade ideológica. Segundo a polícia, ela teria cometido pelo menos três furtos e oito golpes no comércio.
Como já respondia pelos dois crimes, teve de se apresentar na delegacia para prestar novos esclarecimentos. Mas policiais encontraram com ela um cheque de uma vítima, o que resultou no flagrante desta quarta-feira.
A jovem é suspeita ainda de realizar furtos durante programas nas residências de suas vítimas, colocando soníferos na bebidas, golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela".
De acordo com a delegada Aline Martins Gonçalves, do 15º DP, a moça não tinha residência fixa e usava cheques furtados para pagar hospedagem em hotéis. “Ela dava nomes diferentes em cada hotel em que se hospedava. Para cada pessoa que conhecia ela dava um nome. Ela tinha muitos cheques. Como é uma pessoa que sempre falava muito alto, fazia muito escândalo, as pessoas ficavam com o cheque e deixavam ela ir embora”, disse a delegada.
"A polícia está levantando isso. Já tem falsos cheques que voltaram e ela foi reconhecida por pessoas que trabalham em hotéis. É uma coisa muito grande, são muitas vítimas".
Segundo a delegada, a jovem usava o site de relacionamentos Orkut para conseguir vítimas. “Ela se relaciona muito com as pessoas pelo Orkut, faz muitas vítimas, e isso está sendo investigado.”
A polícia recuperou uma gravura de Juan Mirò avaliada em US$ 18 mil após a prisão de Kelly. Segundo a polícia, o quadro tem certificado de autenticidade e teria sido comercializado por US$ 1 mil.
Aline conta que a jovem chegou a registrar um boletim de ocorrência contra a própria advogada, logo após passar nove dias presa sob acusação de estelionato e falsidade ideológica.
Segundo a delegada, ao sair da cadeia, a moça foi procurar a advogada para pegar alguns pertences. Entre eles, estavam calças e roupas de grife supostamente adquiridos com cheques furtados. Aline conta que a jovem não conseguiu ter acesso às roupas no momento em que esteve no escritório. Sem ter como pagar os honorários da advogada, teria aproveitado a situação. Voltou à delegacia na madrugada do dia 10 para registrar um boletim de ocorrência por apropriação indébita.
“Achei estranho ela fazer um boletim de ocorrência contra a advogada porque ela não queria devolver peças de roupa. A advogada foi chamada, se explicou e entregou todas as roupas da garota. Tinha muita roupa com etiqueta”, disse Aline. As roupas foram apreendidas e ficaram na delegacia. Essa foi a razão para que a moça fosse chamada novamente à delegacia e acabasse presa novamente em flagrante por portar um comprovante de cheque furtado.
No intervalo entre o dia da liberação e a nova prisão da jovem, dois boletins de ocorrência foram abertos contra ela. Um deles, de uma idosa de 83 anos, e outro de homem que a conheceu em uma casa noturna. Dele, a suspeita teria levado R$ 5,5 mil em dinheiro e um cartão de crédito. A idosa ficou sem o talão de cheques, segundo a delegada.










