2007-08-21 22:31:00
A Rádio Eldorado, do Grupo Estado, lançou alguma luz nesta segunda-feira (20) sobre dois lados ocultos da crise imobiliário-financeira nos Estados Unidos. Primeiro, como ela bate nos brasileiros que emigraram para os EUA: há 5 mil deles precisando voltar. Segundo, o drama, kafkiano, dos cidadãos que caíram no conto do vigário do refinanciamento da casa própria.
Rocha, com líderes imigrantes em Boston: tempos duros A Eldorado entrevistou Fausto Mendes da Rocha, diretor do Centro do Imigrante Brasileiro em Boston, uma das áreas de concentração dos "brazucas", como são conhecidos os brasileiros que emigraram. Ele diz que, "com a queda dos valores dos imóveis, muitas pessoas que adquiriram empréstimos de 100% do valor da casa não conseguem refinanciar as dívidas com os bancos e são obrigados a voltar ao Brasil".
Prestação foi de US$ 1.200 para US$ 3.300 – O Centro tem, entre as suas missões, a de ajudar imigrantes brasileiros que desejam deixar os EUA de volta ao Brasil. No ano passado os casos de auxílio foram 3 mil. Mas este ano já somam 5 mil, só até o início do mês de agosto. Rocha avalia que nos últimos anos, de cada dez casas adquiridas nas regiões de Boston e Miami, três eram de brasileiros, uma colônia de imigrantes que se concentra no entorno dessas duas cidades.
O próprio Fausto da Rocha é um exemplo do drama americano dos consumidores apanhados nas malhas do esquema de refinanciamento dos imóveis residenciais. Vivendo nos EUA há quase 19 anos, ele financiou sua casa em 30 anos. No início, pagava juros fixos de 4,88% e prestações mensais de US$ 1.200. Porém agora, após o terceiro refinanciamento, a prestação passou para US$ 3.300, com juros de 7,95% e 11,65% em dois bancos diferentes.
O diretor executivo do Centro do Imigrante Brasileiro em Boston avalia que a crise deve piorar a situação dos 1,1 milhão de brasileiros que vivem hoje nos EUA. "A crise não é só no setor imobiliário. As dificuldades têm afetado também o emprego e outras áreas da economia. Se o governo não tomar providências, muitas pessoas vão continuar perdendo as suas casas", relata ele.
A culpa é dos tomadores de empréstimos? – O depoimento de Fausto da Rocha contrasta com o noticiário econômico sobre a crise. Este costuma responsabilizar os contratos de alto risco, chamados subprime, que teria emprestado dinheiro demais a devedores pouco confiáveis e predispostos ao calote.
O exemplo de Rocha mostra o outro lado. Indica por que as financiadoras e os bancos foram tão generosos nos financiamentos. E demonstra por que muitos tomadores desses empréstimos – brasileiros, americanos e outros – agora não conseguem pagar as prestações.
As Bolsas em Nova York, centro dos abalos que contaminaram os mercados do mundo, operavam em baixa na manhã desta terça-feira, 13º dia da crise declarada. Os investidores acham que os US$ 97,5 bilhões injetados desde então no mercado pelo Federal Reserve (Fed, o anco central americano) não serão suficientes para conter uma epidemia de inadimplências, com pessoas como Fausto da Rocha na ponta. Eles esperam uma reunião de emergência do Fed, antes do dia 18 de setembro (data programada para o próximo encontro oficial), que corte os jurosa dos fundos federais, hoje em 5,75% ao ano.










