2007-08-05 11:30:37
Habitual freqüentador do seleto grupo dos sete países mais corruptos do mundo, o Paraguai avança em direção ao topo do ranking, de acordo com um estudo sobre governabilidade, divulgado pelo Banco Mundial no último dia 31.
Nas Américas, o país de Nicanor Duarte Frutos superou Honduras e Equador e, agora, só perde para o Haiti e a Venezuela.
Entre os fatores que mais pesaram na avaliação, estão o escasso nível de controle da corrupção nos organismos estatais, os baixos índices de segurança jurídica e a ineficiência das repartições governamentais.
Coletados pelos pesquisadores Daniel Kaufmann, Aart Kraay e Massimo Mastruzzi, os indicadores abarcam 212 países e territórios e baseiam-se em 33 fontes de dados diferentes, estando aberta, ainda, a especialistas dos setores público, privado e organizações não-governamentais.
Dessa forma, a análise de governabilidade referente aos últimos dez anos (1996-2006) revelam que a melhoria da qualidade de vida nos países pesquisados está diretamente atrelada às melhoras no desempenho de cada governo, com conseqüente queda nos índices de corrupção.
Na América do Sul, Chile e Uruguai são os mais bem conceituados, figurando ao lado de países europeus nos índices de honestidade estatal. Brasil e Argentina, as duas maiores potências regionais, aparecem em posição intermediária.
Os critérios utilizados pelos pesquisadores foram criticados pelo novo ministro da Fazenda do Paraguai, César Barreto, que afirmou ao jornal ABC Color que o combate à corrupção estatal melhorou muito desde 2003, ano em que Nicanor assumiu a presidência.
Farra do Boi
Além das binacionais Itaipu (Brasil / Paraguai) e Yacyretá (Paraguai / Argentina), imunes à fiscalização dos órgãos reguladores, uma nova lei aprovada pelo Congresso paraguaio na quinta-feira (02) desobriga os funcionários públicos a prestarem contas de seus gastos em viagens ao exterior.
Assim, apesar das inúmeras denúncias de irregularidades no manejo das verbas públicas destinadas a este tipo de viagem, o projeto do senador liberal Alfredo Jaeggli foi aprovado por ampla maioria pelos parlamentares, que se mostraram satisfeitos com o fim da exigência de prestação de contas.
Um dos mais efusivos na comemoração, de acordo com o jornal La Nación, foi o deputado Luciano Cabrera. A íntegra de seu relato (nada íntegro, por sinal) é transcrita no parágrafo abaixo:
“Compartilhei viagem com companheiros de todos os partidos políticos e notei o sentimento desses companheiros, a vergonha que sentimos no estrangeiro no sentido de ficar pedindo notas fiscais em táxis, tratando de subornar, porque essa é a realidade, subornar garçons que nos servem comida para que nos forneçam notas para justificar. Creio que essa é uma forma de agredir os deputados em seu foro íntimo”, discursou.











