2007-07-27 18:32:37
Em comunicado divulgado na última quarta-feira (25), a Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) denunciou a situação de calamidade enfrentada pelos agentes na região da Tríplice Fronteira (Brasil / Paraguai / Argentina). Este já é o quinto dossiê elaborado pela categoria em 2007. Os anteriores abordam questões relacionadas à administração da delegacia de Foz do Iguaçu, o caos na Ponte da Amizade e a precariedade da infra-estrutura na Ponte Tancredo Neves.
De acordo com a FENAPEF, a situação dos policiais federais e agentes da Receita Federal do Brasil (RFB) na fronteira continua grave, embora tudo indique que, aos poucos, fique “menos constrangedora” que o caótico retrato elaborado nos meses anteriores.
“A FENAPEF voltou à ponte na última semana e pôde comprovar que algumas medidas foram colocadas em prática principalmente para evitar o contrabando descarado praticado em cima da ponte. As medidas adotadas, no entanto, estão longe de resolverem o problema”, afirma o relatório.
“Uma das portas abertas ao contrabando, um buraco feito na cerca da Ponte da Amizade, ganhou agora a vigilância de servidores da PF, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A iniciativa ajudou a acabar com o ‘rapel’ e o arremesso de contrabando pelo buraco”.
“No entanto, o dinheiro público seria muito melhor aproveitado se o ‘administrador’ de plantão fechasse o rombo da cerca aproveitando os servidores em outras funções”, conclui a FENAPEF, reforçando as críticas contra os delegados Alessandro Carvalho e Carlos Aldair Medeiros dos Santos.
“A sociedade merece um delegado que tenha compromisso com a instituição e que respeite os servidores. Que vista a calça jeans, a camiseta branca e o tênis, e não de um ninja que se veste todo de preto só para sair chutando marmita e pessoa caída no chão, apreendendo batata frita e canetas”.
A afirmação acima refere-se ao fato de que, em seu manifesto anterior, os policiais federais questionavam as “iniciativas estapafúrdias” do delegado Medeiros dos Santos, como normatizar o uniformes dos policiais e impor restrições ao horário de almoço.
Outro ponto considerado falho é o deslocamento de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para reforçar a segurança na divisa com o Paraguai. “A iniciativa acaba reforçando o efetivo na Ponte da Amizade, mas é lógico, enfraquece na fronteira com a Argentina”, argumenta.
Iluminação Pública
Outra das denúncias, que a bem da verdade, beira ao absurdo, é a demora na substituição das luminárias da Ponte da Amizade, o que faz com que a iluminação noturna seja precária, agravando as dificuldades para trabalhar no local.
“Perto de 60% das luminárias da ponte estão queimadas, o que dificulta e torna o trabalho dos policiais mais perigoso”, afirma Francisco Sabino, diretor de Relações do Trabalho da FENAPEF, que reuniu-se com vereadores de Foz do Iguaçu para tentar solucionar o problema.
Vigilância Eletrônica
O relatório da FENAPEF sugere, ainda, a utilização compartilhada do monitoramento feito através de câmeras pela Receita Federal, que de acordo com o documento, possui “um equipamento que pode receber imagens de até 109 câmeras de vídeo, porém só 12 estão instaladas”.
Além disso, a Receita não dispõe de pessoal para operar o equipamento. “Os policiais poderiam fazer este trabalho numa gestão compartilhada da segurança na ponte”, diz Sabino, batendo na tecla de que é preciso transformar a conduta dos gestores da PF para que a Tríplice Fronteira saia ganhando.











