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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Editorial “Enersul “o gordo salário” por Clesio Ribeiro

2007-07-27 13:56:37

                Como explicar para uma senhora  que recebe um salário mínimo por mês e paga R$ 70,00 de energia elétrica, que um diretor da Enersul recebe quase R$ 300 mil por mês, e por isso ela tem que pagar caro pela energia para poder manter o salário deste diretor? A CPI da Enersul na Assembléia Legislativa revelou esse “descalabro”, e como não tinha como esconder, a direção da Enersul confirmou o salário de R$ 200 a R$ 300 mil reais pago à seis diretores. Talvez constrangida, a empresa energética anuncia agora que fará estudo para reduzir a tarifa aos consumidores. Se não tivesse a CPI, a Enersul nunca iria rever essa tarifa e nós nunca saberíamos que os diretores “nadam” em dinheiro às custas do pobre consumidor.

                Antes da confirmação do diretor da Enersul em Mato Grosso do Sul, Jorge Martins, soou como um equívoco o salário de R$ 278 mil por mês pago a um diretor. Jorge Martins, que também tem esse salário mensal, confirmou e justificou que os tais diretores (cinco moram em São Paulo) prestam serviço para mais duas empresas, por isso recebem esse subsídio. Ele confirmou não R$ 278 mil por mês, mas entre R$ 200 a R$ 300 mil, como se fizesse alguma diferença.

                Não é de hoje que o consumidor é desrespeitado pelas altas taxas tributárias que ele acaba pagando em cada produto que consome. Na conta de energia elétrica, cerca de 60% é tributação, dinheiro que vai para os cofres do Governo Estadual, Federal e Municipal, através das tarifas de iluminação pública. Os outros 40% vai para a empresa que presta o serviço bancar as suas despesas. O salário de R$ 278 mil mensal dos seis diretores entra nessa despesa para efeito de cálculo da tarifa.

                Por isso é que a Enersul tentou de todas as formas barrar a instalação da CPI na Assembléia Legislativa. Além desse salário milionário, devem ter outras despesas absurdas que compõem a base de cálculo aceita pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para estabelecer o preço da tarifa de energia que pagamos, diga-se de passagem, a mais alta do Brasil.

                Não é de hoje que a população é lesada pelo sistema de arrecadação de imposto desse País. E não é de hoje que todos os sul-mato-grossenses vêm reclamando dessa tarifa de energia altíssima que  impede o desenvolvimento do Estado e “saqueia” o bolso do consumidor. Até quando vamos aceitar tudo isso sem ao menos mostrar a nossa profunda indignação. O salário desses diretores da Enersul é uma vergonha!!! Ultrapassaram todos os limites!!!

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