2007-07-26 18:11:37
A empresária Elisângela Acosta Ferreira (34 anos) se apresentou à delegacia da Polícia Civil de Jardim como autora do atropelamento registrado na noite de quarta-feira (25 de julho) na MS-384, entre Antônio João e Bela Vista, que resultou na morte do indígena guarani-kaiowá Hilário Fernandes (47 anos). O fato foi registrado na região do distrito de Campestre, causando revolta na comunidade. Em protesto, a estrada foi bloqueada por volta das 12h desta quinta-feira (26), com a promessa de que o tráfego seria liberado apenas quando o crime fosse esclarecido.
O depoimento da empresária foi tomado pelo delegado do 1º Distrito Policial de Jardim, Valdemiro Mendes Arguilheira, ainda na quarta-feira. Segundo ele, o atropelamento ocorreu à noite, quando a empresária, que seguia de Ponta Porã para Jardim, tentou desviar de um ônibus que estava estacionado no acostamento da rodovia, nas imediações da aldeia Campestre. Quando efetuou a manobra, Elisângela Ferreira disse que duas pessoas apareceram na estrada. Ela disse ter feito nova manobra para evitar a colisão, porém, acabou atingindo uma das pessoas, que não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Ainda conforme seu depoimento, a empresária retornou ao local para verificar o estado da vítima. “Mas o irmão do homem ferido ‘foi para cima’ do carro. Ela ficou assustada e deixou o local. Na viagem de volta, ela tentou avisar o marido pelo telefone”, explicou Arguilheira. O marido de Elisângela Ferreira acionou a Polícia Civil em Jardim, e, ainda na noite de quarta-feira, ela se apresentou às autoridades. A condutora viajava com outra mulher e uma criança.
O delegado ressaltou que tentou entrar em contato com as autoridades de Antônio João durante a noite, sem sucesso. Nesta manhã, ele obteve a informação de que o depoimento da testemunha do atropelamento – Adelino Fernandes, irmão da vítima – não teria sido tomado “porque ele estaria embriagado, não sendo possível colher o seu depoimento”. O automóvel em que a empresária viajava – um VW Fox (ano 2005, placas HSD-5089, de Jardim) – já foi periciado pelas autoridades.
Tensão – Os indígenas chegaram a considerar que o atropelamento seria proposital, uma vez que a região da aldeia Campestre é alvo de disputa há décadas entre fazendeiros e índios. Na mesma região, em 1893, foi assassinado o líder indígena Marçal de Souza. No Natal de 2005, o também indígena Dorvalino Rocha foi morto a tiros por uma equipe pertencente a uma empresa de segurança, contratada por fazendeiros.
Os moradores liberaram o tráfego da rodovia por volta das 17h, após receberem das autoridades comunicado sobre a apresentação da autora do atropelamento. Alenir Aquino, moradora da comunidade, relatou que representantes da prefeitura de Antônio João se comprometeram a melhorar a segurança na região da MS-384 que corta a aldeia Campestre. Equipes da Polícia Militar Rodoviária também foram acionadas para acompanhar a mobilização. A indígena adiantou que o corpo de Hilário Fernandes será sepultado na manhã desta sexta-feira (27).










