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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mais carne em menos tempo

2007-05-21 13:15:00

                Para alcançar os principais objetivos da pecuária de corte não há uma regra geral. Cada produtor procura um ponto de equilíbrio para aumentar a escala de produção, o lucro por hectare e a rentabilidade. ‘Cada caso é um caso’, diz o professor Adilson de Paula Almeida Aguiar, das Faculdades de Zootecnia e Agronomia de Uberaba (Fazu) e da Universidade de Uberaba (Uniube), que busca alternativas de produção de carne a pasto sem aumentar a área de pastejo. ‘A incorporação de novas áreas é cada vez mais limitada pelas leis ambientais.’ Segundo Aguiar, o nível de intensificação de um sistema de produção animal a pasto deve considerar localização da propriedade, tamanho da área e do rebanho, valor da terra, condições climáticas, nível de treinamento da mão-deobra, capacidade gerencial, mercado e preços locais. ‘Pela extensão territorial, no Brasil é impossível adotar um único modelo de sistema de produção, seja mais ou menos intensivo.’ Há três anos, o criador Carlos Botelho, da Fazenda Boa Esperança, em Uberaba (MG), trocou o confinamento pela produção intensiva em pastejo rotacionado irrigado e adubado. ‘Os custos dos insumos estavam tornando a atividade inviável. Resolvi plantar capim tifton irrigado e trabalhar de forma intensiva’, diz. ‘Em 20 hectares, antes, confinava 200 a250 animais/ano; hoje, na época das águas, chega a ter 600 cabeças, com média anual de 450 cabeças.’ A área foi dividida em 21 piquetes, distribuídos em torno de um corredor central para manejar os animais que passam apenas um dia em cada piquete. ‘A produtividade melhorou. No confinamento, abatia fêmeas com 2,5 anos; agora, com 2 anos’, diz. Os animais entram no sistema com 10 meses a 12 meses e saem com 18 meses a 24 meses.

                A Fazenda Santa Nilza, em Uberaba (MG), faz cria, recria e engorda no sistema de pastejo rotacionado com mombaça, em solo adubado e corrigido, mas não utiliza irrigação porque não tem volume de água suficiente, segundo o zootecnista e gerente da propriedade, Antonio Alfeu do Nascimento Junior. ‘A lotação é calculada conforme o desempenho almejado em peso e a disposição de alimento por área.’ No verão, ele trabalha com 2,5 UA/hectare a 6,5 UA/hectare e, no inverno, de 0,5 UA/hectare a 1,5 UA/ hectare. ‘Dá uma média anual de 3,5 UA/hectare/ano’, calcula, acrescentando que o sistema é vantajoso pois permite adensar o número de animais por área. ‘Com o custo de terras alto não dá para trabalhar com lotação baixa’, justifica. ‘Agrega, no mínimo, 300% na rentabilidade, considerando que a médica histórica do País é 1 UA/hectare.’

                MATRIZES OVINAS – A Fazenda Escola da Uniube tem um rebanho de 350 matrizes ovinas santa inês no sistema de pastejo rotacionado irrigado. Em 7 hectares, divididos em 12 piquetes de tifton 85, os animais permanecem, em média, dois dias. ‘Com o sistema dá para colocar 100 fêmeas com peso ao redor de 40 quilos/hectare’, calcula o gerente da fazenda, Clenio Batista de Oliveira.

                No verão, quando a pastagem cresce mais rápido, é preciso colocar bovinos para consumir toda a oferta de alimento e não ter sobra que possa comprometer o crescimento do capim no ciclo seguinte. ‘Na época de pico, chegamos a colocar 150 fêmeas/hectare. No inverno, a lotação cai para 50 cabeças/hectare.’ Tanto no galpão quanto no pasto os animais recebem sal mineral. Os cordeiros, porém, são confinados desde o nascimento ao abate. ?

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