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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Receptor de colesterol no fígado permite entrada da hepatite C no organismo

2012-01-26 16:15:00

Uma molécula presente nas células do fígado que ajuda na absorção do colesterol também permite a entrada do vírus da hepatite C no organismo. A descoberta é de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Os resultados do estudo, publicado na revista Nature Medicine, revelam que o receptor de colesterol oferece um alvo novo e promissor para a terapia antiviral contra a infecção pelo vírus HCV.

Estudos anteriores mostraram que o colesterol estava, de alguma forma, envolvido na infecção pelo HCV. Os pesquisadores suspeitavam que um receptor chamado NPC1L1, conhecido por ajudar a manter o equilíbrio do colesterol também poderia estar transportando o vírus na célula.

O receptor é comum no intestino de várias espécies, mas é encontrado em células do fígado apenas em humanos e chimpanzés. Estes primatas, segundo os pesquisadore, são os únicos animais que podem ser infectados pelo HCV.

A líder da pesquisa Susan Uprichard e seus colegas mostraram que o bloqueio do acesso ao receptor NPC1L1 impediu o vírus de entrar e infectar as células.

Segundo o primeiro autor do estudo, Bruno Sainz Jr., como o receptor está envolvido no metabolismo do colesterol, ele já foi bem estudado. Uma droga que ataca especificamente e exclusivamente NPC1L1 já existe e é aprovada para uso em humanos.

"A droga ezetimiba (vendida sob ao nome comercial de Zetia) está disponível e perfeitamente direcionada para o receptor, por isso os pesquisadores tiveram um método ideal para testar o envolvimento de NPC1L1 na infecção pelo HCV", explica Sainz.

A equipe usou a droga para bloquear o receptor antes, durante e após a inoculação com o vírus, em cultura de células e em um modelo animal, para avaliar o papel do receptor na infecção e o potencial da droga como um agente anti-hepatite.

Os pesquisadores mostraram que ezetimiba inibiu a infecção pelo HCV em cultura de células e em camundongos transplantados com células de fígado humano. E, ao contrário de todas as drogas atualmente disponíveis, ezetimiba foi capaz de inibir a infecção por todos os seis tipos de HCV.

Os cientistas acreditam que o estudo abre uma série de possibilidades terapêuticas.

Hepatite C é a principal causa de transplante hepático nos EUA, mas os pacientes infectados têm problemas após o transplante, porque o vírus ataca o fígado novamente.

Enquanto as drogas atuais são altamente tóxicas e, muitas vezes não podem ser toleradas por pacientes transplantados que tomam medicamentos imunossupressores, a ezetimiba é bastante segura e tem sido utilizada a longo prazo sem prejudicar o organismo.

Como impede a entrada do vírus nas células, o medicamento pode ajudar a proteger o fígado contra novas infecções.

Para pacientes com hepatite C crônica, a ezetimiba pode ser capaz de ser usada em combinação com drogas atuais.(Isaude.net)

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