Gazeta de Amambaí


Quarta-Feira, 18 de Julho de 2018 às 11:11

Pesquisador cria aparelho que revela em poucos minutos se paciente tem hepatite C

Equipamento desenvolvido na Escola de Engenharia da USP São Carlos custou cerca de R$ 430.

Um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos desenvolveu um dispositivo eletrônico que revela em no máximo dez minutos se uma pessoa tem hepatite C. O aparelho, que custou R$ 430, reduz os custos de exames e analisa o sangue do paciente com mais precisão. Ainda não há prazo para a tecnologia chegar ao mercado.

O equipamento criado pelo aluno da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) João Paulo Campos da Costa detecta a presença do anti-VHC no sangue, anticorpo que combate a doença.

“Caso a pessoa possua os anticorpos contra o vírus, eles irão ‘se ligar’ com a proteína viral, gerando uma reação que diminui a corrente elétrica que passa pelo aparelho. É justamente essa redução na corrente que nos indica a infecção da pessoa”, explicou.

Ainda não há prazo para a tecnologia chegar ao mercado. O pesquisador já entrou com o pedido de patente e o próximo passo é aprimorar o equipamento até o fim do ano para que ele possa detectar não apenas os anticorpos, mas também o vírus da doença.

 

Equipamento

 

De acordo com Costa, o equipamento possui mil vezes mais sensibilidade para detectar o anti-VHC se comparado aos modelos de exames convencionais que, algumas vezes, não são capazes de identificar pequenas quantidades de anticorpos.

“Alguns exames levam até uma semana para ficarem prontos na rede pública e aqueles que utilizam sistemas eletroquímicos para diagnóstico são muito caros, podendo chegar a mais de R$ 20mil”, declarou.

 
Exames convencionais para diagnóstico de hepatite C não são tão precisos e podem comprometer análise médica. (Foto: Cesar Lopes – PMPA)Exames convencionais para diagnóstico de hepatite C não são tão precisos e podem comprometer análise médica. (Foto: Cesar Lopes – PMPA)

Exames convencionais para diagnóstico de hepatite C não são tão precisos e podem comprometer análise médica. (Foto: Cesar Lopes – PMPA)

 

O sensor é composto por um microcontrolados, amplificadores de sinal, bateria e sistema de recepção e envio de dados sem fio, e pode ser facilmente replicado pela indústria.

 

“Criar um aparelho de baixo custo e que pudesse ser produzido em larga escala era um dos meus objetivos desde o início do trabalho”, revelou o pesquisador.

 

A portabilidade é outra vantagem do dispositivo, porque é possível levar o exame até pessoas com dificuldades de locomoção ou acamadas, que não conseguem se deslocar ao hospital ou mesmo a populações que residem em áreas de difícil acesso.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A tecnologia utilizada no dispositivo é brasileira e, segundo o especialista, não há empresas nacionais que produzam esse tipo de solução.

 

Diagnóstico

 

Os resultados obtidos pelo aparelho são transmitidos por rede sem fio diretamente para um aplicativo de celular que poderá ser utilizado por profissionais da saúde.

O app ainda é capaz de armazenar o exame do paciente em um cartão de memória e enviá-lo, via e-mail ou redes sociais, ao médico responsável que irá interpretar o diagnóstico.

Para auxiliar o médico no tratamento mais específico de cada paciente, o sistema desenvolvido pelo pesquisador também pode ser programado para quantificar os anticorpos encontrados no soro sanguíneo, e até mesmo atuar no diagnóstico de outras doenças crônicas virais, como o HIV e outros tipos de hepatite.

Atualmente, o diagnóstico da hepatite C pode ser feito por meio de exames sorológicos, testes moleculares, além da biópsia hepática – exame realizado para determinar o grau do processo inflamatório, o estágio de fibrose e se há presença de cirrose no tecido hepático.

Segundo Costa, entretanto, esses exames demandam tempo, equipamentos especiais, laboratórios com infraestrutura adequada, profissionais especializados e qualificados e, no caso da biópsia, trata-se de um exame invasivo e que pode trazer riscos e complicações à saúde.

 
 
João Paulo desenvolveu a tecnologia durante seu mestrado em engenharia elétrica na EESC. (Foto: Henrique Fontes/SEL-USP)

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