Gazeta de Amambaí


Quarta-Feira, 03 de Maio de 2017 às 12:02

Saúde não recomenda uso de polvos de crochê em incubadoras; entenda

Governo não proíbe bichinhos, mas diz que não vê comprovação científica dos benefícios. Iniciativa surgiu na Dinamarca, em 2013, e se espalhou pelo país; defensores apontam melhora em bebês.

O Ministério da Saúde enviou uma nota técnica a todas as secretarias estaduais do país, no último mês, para informar que não recomenda o uso de polvos de crochê em incubadoras de recém-nascidos. Segundo o governo, não há comprovação científica sobre os benefícios do bichinho como instrumento terapêutico.

Em nota ao G1, o ministério informou que isso não significa que o polvo está proibido, ou que faça mal aos bebês. A nota indica que esse tipo de tratamento não é chancelado pelo ministério – ou seja, a adoção do método é de responsabilidade de cada médico ou gestor local.

"O objeto trata-se, na verdade, de um brinquedo e não há qualquer tipo de comprovação científica na literatura médica nacional ou mundial apontando benefícios ou melhoras com esse tipo de instrumento", diz o texto enviado à reportagem.

A nota técnica é assinada pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do ministério. Segundo as coordenadoras do setor, a melhor forma de cuidar dos recém-nascidos é o chamado método canguru, adotado desde 2000 no país, e que prevê o contato direto, pele a pele, entre bebês e familiares.

Os bonecos de crochê são feitos em fios 100% algodão, com oito tentáculos de 22 centímetros – muitas vezes, os bichinhos são maiores que as próprias crianças. Antes de serem colocados nas incubadoras, os objetos precisam ser esterilizados para evitar infecções. Em geral, os bebês podem levar os bichos para casa quando recebem alta médica.

Virou febre

Os polvos de crochê surgiram em um hospital universitário da Dinamarca, em 2013, e ficaram conhecidos como "projeto Octo". No Brasil, uma das primeiras unidades a adotar o método foi o Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal. Lá, os bonecos começaram a ser usados no fim de março.

Segundo os defensores da iniciativa, os polvos envolvem os bebês e aumentam a sensação de acolhimento das incubadoras, evitando choques e acidentes nas paredes do leito. Além disso, os tentáculos remeteriam ao cordão umbilical da mãe, dando sensação de proteção ao bebê.

"Os relatos são de melhora nos sinais vitais e ganho de peso mais rápido. Além disso, o polvo evita que eles puxem a sonda e tubos instalados", afirmou a gerente de enfermagem do Hospital de Santa Maria, Cíntia Pelegrino, em material divulgado pelo governo do DF em março.

 
Polvos de crochê ajudam a acalmar bebês prematuros de Curitiba (Foto:  Giuliano Gomes/PR Press)Polvos de crochê ajudam a acalmar bebês prematuros de Curitiba (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)Polvos de crochê ajudam a acalmar bebês prematuros de Curitiba (Foto:  Giuliano Gomes/PR Press)

O neonatologista Marc Ruberto, do mesmo hospital, diz que o polvo também gera alívio para as mães, conforme os sinais de melhora vão aparecendo nas crianças. "São bebês que ainda precisam de ventilação mecânica, uso de medicamentos e ainda estão em estado grave. Mesmo que ainda sejam muito pequenos, eles fazem a interação com o polvo", afirma.

O projeto virou febre em todo o país, e foi abraçado por grupos de voluntários que se reúnem para confeccionar os pequenos polvos. Nos últimos meses, a ação foi replicada em hospitais de São Paulodo Paranáde Santa Catarina e Minas Gerais.

Polvo ou canguru?

O governo federal classifica os polvos do projeto Octo como um "brinquedo", e nega que a semelhança dos tentáculos com o cordão umbilical seja suficiente para despertar algum conforto extra ao bebê.

Segundo a nota técnica, qualquer brinquedo do tipo – "girafas, sapos, ursos, bonecos, carros" – geraria o mesmo benefício, "desde que respeitadas as normas e protocolos de controle de infecção hospitalar de cada unidade".

Fonte: G 1

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