2009-07-15 14:18:00
O ambiente tenso entre fazendeiros e índios de Mato Grosso do Sul, acirrado no final do ano passado com a demarcação de terras indígenas em 26 municípios do Estado, pode resultar em conflito entre as duas partes. A possibilidade foi comentada pelo enviado especial do presidente Luís Inácio Lula da Silva, general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
"Sabemos que aqui existe risco de conflito, embora essa possibilidade seja menor agora do que há um ano, quando as primeiras portarias foram publicadas", disse o ministro em entrevista coletiva realizada no quartel da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. Depois esclareceu estar em Dourados para "desarmar os espíritos, tanto de índios quanto de produtores rurais".
Para o general, "o clima está mais tranquilo, próximo de um entendimento. A possibilidade de uma conciliação é cada vez maior, e não haverá necessidade do Exército dar sustentação ao trabalho de demarcação que será iniciado no próximo dia 20. Se houver necessidade, estaremos prontos, inclusive com apoio logístico".
Ele recebeu 15 caciques de aldeias de Dourados e região, além da delegada regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Margarida Nicoletti. Os jornalistas não tiveram acesso aos dois encontros realizados a portas fechadas.
REAÇÃO
Em Ponta Porã, extremo sul do Estado, na divisa com o Paraguai, o presidente do sindicato dos produtores rurais, Ronei Silva Fuchs, fez reunião pela manhã com fazendeiros para discutir a questão. Falando em nome de todos os quase 150 ruralistas presentes, destacou que ninguém venderá terras ao Governo para criação de aldeias indígenas. "O governo que procure outras áreas ou fazendas para comprar".
Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, Ademar Silva Júnior, primeiro é indispensável saber se os produtores rurais concordam com os estudos antropológicos que antecedem as demarcações de áreas indígenas. Depois, "tem que haver garantia de indenizações justas para compensar as benfeitorias feitas nas fazendas visadas pela demarcação".
Silva não acredita que a demarcação resolverá a situação difícil dos indígenas em MS. Citou como exemplo a área dos Kadiwéu no município de Bodoquena, no Pantanal. "São 538 mil hectares para 3 mil índios, que vivem a mesma aflição das pequenas aldeias. Parte dessas terras está ocupada por fazendeiros, através de arredamentos. Atualmente, o valor da área kadiwéu está em torno de R$ 5 bilhões, e eles vivem apertados como se tivessem pouca terra".










