Gazeta de Amambaí


Segunda-Feira, 06 de Novembro de 2017 às 10:02

Aquaponia: produção com pouca água

Tenologia usa 90% a menos de água do que na agricultura tradicional

Plantar feijão, alface, tomata ou os mais variados tipos de hortaliças se tornou uma realidade menos distante para quem vive na Caatinga, por meio da “Aquaponia”. A tenologia usa 90% a menos de água do que na agricultura tradicional. É o que afirma a professora e coordenadora do departamento de Oceanografia da UFRN, Virgínia Cavalari. “Ouvimos falar que Caatinga é lugar pobre e escasso de recursos, mas é uma região com 1.333 municípios no Brasil, com 22 milhões de pessoas e que precisa de cuidado. É um grupo expressivo de pessoas que precisam de apoio e desenvolvimento”, disse Virgínia Cavalari.

No sistema de Aquaponia, é possível produzir de 50 a 100 kg de peixes por m³, o tempo de criação dos peixes é reduzido, cerca de seis meses. É possível plantar 20 alfaces por m², na agricultura convencional é de 16 alfaces por m². O mais importante, segundo a professora, é de a redução de custos de 80%. “Além de não usar adubo e nem defensivos”, explicou Virgínia. “É um produto orgânico, com custo baixo e economia de água bastante expressiva. É um sistema simples de implementar e facilmente replicável, cuja disseminação deve ser fomentada no âmbito de políticas de apoio a comunidades”, frisou a palestrante.


Qual a proposta do projeto de aquaponia desenvolvido na UFRN?

A aquaponia é a produção de peixes, crustáceos e vegetais ao mesmo tempo com a recirculação da água, que se encaixa na caatinga, nessa temática da crise hídrica, porque vai reutilizar a água, que vai servir para outros cultivos, onde um auxilia o outro. É um sistema de cultivo que tende a respeitar os princípios de sustentabilidade porque otimiza espaço, água e consegue reduzir os compostos hidrogenados que iriam para o meio ambiente, e que seria ruim.

De onde surgiu a ideia para fazer esse sistema?

Esse sistema já existe, alguns países já fazem, mas no Brasil ele ainda está no início e sobretudo no Nordeste, que é quase inexistente. A aquicultura vem trabalhando com sistemas fechados e mundialmente tende a sistemas sustentáveis e eficientes. Eu tenho um laboratório onde produzidos camarão de água doce e estava buscando inovar. Fui convidada por um grupo de professores para fazer parte de um grupo de pesquisa e estavam envolvidas em uma cooperação internacional com Israel. Com os estudos, acertei parceria e diz um módulo pequeno na Caatinga, o que foi muito desafiador, imagine cultivar peixes e camarão na Caatinga, que é seco e árido e tido como pobre, mas não é nada disso, é um bioma muito rico. Esse sistema também pode ser produzido em locais urbanos, em casa, apartamento, como decoração. Temos que priorizar sistemas na Caatinga, com economia de água.

Qual é a economia de água gerada pela aquaponia em comparação com o cultivo tradicional?

É de 80% a 90% de água em relação a agricultura tradicional. A terra não é essencial para produção dos vegetais, ela é responsável pela sustentação da plantação. O que ela precisa é de nutrientes e esses serão produzidos por peixes e camarões que estão vivendo ali, então um ajuda o outro. Além de não usar produtos químicos nessa produção, a quantidade de pragas é reduzida.

Por que ainda é um projeto pouco difundido?

Porque existem muitos tabus, de que o Nordeste é pobre e que na Caatinga não tem água, quando na verdade é muito simples. 

Fonte: Agrolink

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