Gazeta de Amambaí


Segunda-Feira, 06 de Novembro de 2017 às 09:04

Brasil deve ganhar participação nas importações chinesas de soja

China compra em torno de 60 por cento de toda a soja comercializada no mundo

O Brasil deve ganhar uma fatia maior nas importações chinesas de soja nos próximos meses, afetando os exportadores norte-americanos bem no pico do ano comercial para sua commodity mais valiosa, à medida que o mundo lida com a quinta temporada seguida de ampla produção.

A China espera comprar cerca de 5 milhões de toneladas de soja do Brasil no quarto trimestre de 2017, segundo duas fontes de comércio, o dobro ante as 2,49 milhões de toneladas de igual período do ano passado.

Para os exportadores de soja dos EUA, o período de outubro a dezembro é crucial, representando, na média dos últimos cinco anos, cerca de 53 por cento das remessas de todo o ano civil, de acordo com dados comerciais do Departamento do Censo dos EUA.

Maior importador de produtos agrícolas norte-americanos, a China compra em torno de 60 por cento de toda a soja comercializada no mundo.

O Brasil, maior exportador global da oleaginosa, normalmente tem uma oferta menor para exportar a partir de outubro, mas com uma safra recorde de 114,1 milhões de toneladas em 2016/17 o país ainda detém estoques não vendidos.

“No que diz respeito aos preços, a oleaginosa brasileira é competitiva e tem reservas para venda”, disse um executivo sênior de Cingapura que trabalha em uma empresa comercial internacional com instalações de processamento de soja na China.

“É uma situação preocupante para os exportadores dos EUA.”

A soja é o produto agrícola mais valioso dos Estados Unidos, com vendas de 22,8 bilhões de dólares em 2016 --17 por cento do comércio total de bens agrícolas para o ano.

MONTANHA DE SOJA

A produção mundial de soja atingiu uma máxima histórica de 351,254 milhões de toneladas no ano agrícola de 2016/17, com a produção alcançando recordes em três dos quatro anos anteriores.

A produção projetada para 2017/18 é a segunda maior da história, com os Estados Unidos a caminho de uma safra recorde de 120,582 milhões de toneladas.

“Esperamos que o clima brasileiro permaneça favorável às culturas nos próximos meses”, disse um analista de agricultura em um banco internacional focado em commodities. “A safra do Brasil no próximo ano deverá atingir o mercado entre fevereiro e março, o que dá pouco tempo para os EUA impulsionarem as vendas.”

Os agricultores brasileiros plantaram até agora 30 por cento da área prevista com soja, aproximadamente em linha com a média de cinco anos.

Até a semana passada, os agricultores dos EUA haviam colhido 83 por cento de sua safra.

Os preços da soja do Brasil e dos EUA estão em níveis similares, em torno de 420 a 425 dólares por tonelada, incluindo custos e frete, para embarque em novembro para a China. Mas comerciantes e analistas disseram que a qualidade da soja brasileira é geralmente melhor em termos de farelo e óleo extraídos após o processamento, embora a safra deste ano tenha um maior volume de grãos danificados. Os Estados Unidos também estão sofrendo problemas de qualidade devido a danos causados ??por furacões e outros efeitos adversos. “Os grãos dos EUA precisam chegar com desconto, especialmente os do Golfo”, disse um comerciante da China, sob condição de anonimato, já que não é autorizado a conversar com a mídia. Os dados oficiais da China mostram que nos últimos três meses de 2017 as importações de soja brasileira ficarão acima da média. Entre 2010 e 2016, as compras chinesas de soja do Brasil no último trimestre do ano totalizaram uma média de 3,531 milhões de toneladas.

Na última quarta-feira, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que representa exportadores do Brasil, revisou para cima sua expectativa de exportação de soja em 2017 para um recorde de 66 milhões de toneladas, após o país ter exportado 2,7 milhões de toneladas em outubro, o maior volume já registrado para o mês.

Fonte: Agrolink

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