Gazeta de Amambaí


Sexta-Feira, 12 de Maio de 2017 às 14:31

Antonio Candido, crítico literário e sociólogo, morre aos 98 anos em São Paulo

Autor de "Formação da Literatura Brasileira" deu aulas na USP e ganhou prêmios como Jabuti e Camões.

O crítico literário e sociólogo Antonio Candido morreu em São Paulo na madrugada desta sexta-feira (12) aos 98 anos. A informação foi confirmada pela Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde ele deu aulas no curso de Letras e era professor emérito.

O velório ocorre no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, até as 17h. Ele deixa as filhas Laura e Marina, também professoras de história da USP, e Ana Luísa. Marina disse que o pai tinha hérnia de hiato no estômago, não se sentiu bem e foi internado no sábado.

 

"Espero que a morte dele seja um momento para a sociedade brasileira pensar sobre ética, ele era um homem muito coerente com seus ideais. Eu acho que seria bonito se o Brasil pudesse colocar a mão na cabeça e lembrar da geração dele, da geração que ele representa, uma geração que prezava os valores da democracia, os ideias e se comportava conforme valores mais amplos do que interesses pessoais e privados", afirmou Marina, filha dele.

 

 
 
 
 

Crítico literário e sociólogo Antônio Cândido morre em SP aos 98 anos

Segundo ela, o pai estava lúcido até os últimos momentos. Sobre a crise política e o momento atual no mundo, Antonio Candido "estava muito triste. Ele estava assustado com o mundo, com os conflitos, a violência, a guinada à direita no mundo", relembra Marina. "Ele estava preocupado que tínhamos perdido conquistas e direitos", disse ela.

 

 

Velório e último texto

 

O velório ocorre até as 17h, em caixão fechado. O corpo será cremado em uma cerimônia para a família. Na última sexta-feira, antes de ser internado, Antônio Cândido revisou seu último texto, escrito a mão, sobre o trabalho que teve com Oswald de Andrade. O texto ainda será publicado.

 
 
 
 

Corpo do crítico literário e sociólogo Antonio Cândido é velado em São Paulo

A revisão ocorreu a pedido de um ex-aluno, Jorge Schwartz, diretor do Museu Lasar Segall, que foi a casa de Antônio Cândido com uma amiga e também ex-aluna, Berta Waldman, que foi sua orientanda em mestrado de literatura na USP.

"Eu levei até a casa dele a transcrição de uma palestra dele sobre Oswald de Andrade que queria publicar. Ele me disse que estava muito informal, pois era uma fala, e que tinha um texto escrito novo sobre Oswald de Andrade. O texto estava todo rabiscado, com correções. Me pediu para passar a limpo e eu disse: 'claro, professor'. Trouxe de volta e ele fez mais correções. Ele estava bem lúcido", disse Jorge.

 
O crítico literário Antônio Cândido, em foto de julho de 1998 (Foto: Cris Bierrenbach/Folhapress/Arquivo)O crítico literário Antônio Cândido, em foto de julho de 1998 (Foto: Cris Bierrenbach/Folhapress/Arquivo)

O crítico literário Antônio Cândido, em foto de julho de 1998 (Foto: Cris Bierrenbach/Folhapress/Arquivo)

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