2008-12-17 21:34:00
A crise financeira internacional já começa a afetar o setor de combustíveis do país, principalmente o de óleo diesel, cujas vendas caíram 3,3% em novembro deste ano, em comparação com igual período do ano passado, apesar da expansão de 6,4% no resultado acumulado no ano.
A informação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que constatou retração nas vendas principalmente de óleo diesel, em conseqüência da queda nas exportações.
Ao comentar o comportamento do mercado de derivados comercializado pelas empresas distribuidoras ligadas ao sindicato, o vice-presidente executivo do Sindicom, Alísio Vaz, disse que essa queda na venda de óleo diesel é decorrência da retração das exportações brasileiras.
“É uma questão de demanda: não se exporta minério de ferro, a ferrovia não tem o que transportar e não consome diesel. A ferrovia não transporta aço e o caminhão que leva o aço para o porto não vai rodar. O impacto forte que se percebe é nesses transportes voltados para a exportação: ferrovias e rotas de ligação com os portos”.
Os dados do Sindicom indicam que foram comercializados no mês passado 3,032 bilhões de óleo diesel, contra os 3,135 bilhões vendidos em novembro de 2007. Ainda assim, a venda de óleo diesel entre as empresas coligadas ao Sindicom (que responde por 79% do mercado) fechará o ano com expansão de 6,4% – 37,7 bilhões de litros.
O consumo da gasolina (que vem perdendo espaço para o etanol) também caiu 2,8% entre novembro 2007/novembro 2008, enquanto a venda de etanol cresceu 17,7%, atingindo no mês passado 705 milhões de litros (599 milhões em novembro de 2007).
Apesar da queda no fim do ano, a projeção é que o mercado de diesel atendido pelo Sindicom – que corresponde a 84% do total – cresça 6,4% em 2008, totalizando 37,7 bilhões de litros.
As declarações do vice-presidente executivo foram feitas durante entrevista, quando a entidade fez um balanço positivo do setor em 2008, com aumento das vendas de praticamente todos os derivados, à exceção do gás natural veicular (GNV), que caiu 5,2% em relação a 2007.
Apesar dos números negativos verificado na venda de alguns derivados entre outubro e novembro, a Sindicom acredita que, confirmadas as projeções de que ocorra algum crescimento do Produto Interno Bruto do país, em 2009, o setor mantenha o mesmo volume de derivados comercializados este ano.
“Havendo esse crescimento previsto para a economia, o consumo deve se manter em patamares semelhantes ao deste ano. A exceção do álcool, que deverá continuar em expansão porque houve um crescimento muito forte dos carros flex – que hoje já são 90% do total de veículos comercializados no país”.











