Gazeta de Amambaí


Sexta-Feira, 03 de Novembro de 2017 às 17:06

Milionário compra dose de uísque por R$ 32 mil...

... e descobre depois que bebida era falsa

Garrafa de Macallan, de 1878, era falasa
Image captionA dose do uísque Macallan, datado de 1838, custou R$ 32 mil - depois, descobriu-se que a bebida era falsa | Foto: Sandro Bernasconi

Testes de especialistas concluíram que era falso o uísque cuja dose foi comprada por um chinês milionário por quase R$ 32 mil.

Analistas foram chamados pelo Waldhaus Am See, hotel na Suíça onde a bebida foi vendida, depois que algumas pessoas questionaram a autenticidade da bebida. O chinês escolheu uma garrafa fechada de "single malte", da marca Macallan, datada de 1878.

O preço foi reconhecido como o mais caro já pago por uma dose de uísque. Porém, análises mostraram que dificilmente a bebida foi destilada antes de 1970. O hotel afirmou que aceitou os resultados do teste de autenticidade e devolveu o dinheiro ao cliente.

O comprador havia sido Zhang Wei, de 36 anos, natural de Pequim. Ele é um dos escritores mais bem-sucedidos na China. Em visita ao bar do hotel suíço em julho, ele resolveu pagar 10 mil francos suíços, ou R$ 32 mil, por uma única dose do uísque.

Mas a suspeita de que a bebida era falsa surgiu logo depois da compra, quando especialistas em uísque apontaram discrepâncias na garrafa na rolha e no rótulo.

A controvérsia levou o hotel enviar o uísque para especialistas da cidade de Dunfermline, na Escócia.

Testes de datação de carbono pedidos por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostraram que existe 95% de chance do destilado ter sido criado entre 1970 e 1972.

Além disso, testes de álcool do laboratório Tatlock and Thomson indicaram que o uísque era misturado. Ele seria composto 60% de malte e 40% de grãos - o que retiraria a possibilidade de que fosse um "single malte".

Zhang Wei e Sandro Bernasconi
Image captionZhang Wei comprou a dose de Sandro Bernasconi, gerente do hotel Waldhaus, na Suíça | Foto: Sandro Bernasconi

Os testes também mostraram que a garrafa era uma espécie de item de colecionador. Se fosse verdadeira, custaria em torno de 300 mil francos suíços, ou R$ 950 mil.

'Não sabíamos'

O escritor Zhang, autor de livros de fantasia, tinha uma fortuna estimada em torno de R$ 70 milhões em 2015, segundo o jornal China Daily.

Ele comprou a dose de uísque ao passar um feriado com sua avó no hotel suíço - local que estoca 2,5 mil diferentes uísques.

O diretor do estabelecimento, Sandro Bernasconi, disse à BBC que o hotel não sabia que a bebida era falsa. "Meu pai comprou a garrafa de Macallan 25 anos atrás, quando ele era gerente do hotel, e ela nunca foi aberta", disse.

"Quando o senhor Zhang perguntou se ele podia experimentar o uísque, nós dissemos que ele não estava à venda. Mas ele insistiu. Falei com meu pai, e ele disse que nós teríamos de esperar mais 20 anos para encontrar um cliente igual àquele", contou Bernasconi. "Então o senhor Zhang e eu abrimos a garrafa e bebemos apenas uma dose."

Alguns dias depois, o escritor publicou um texto no microblog Weibo, uma das principais redes sociais da China, sobre sua experiência com a dose de "uísque mais cara do mundo".

Em mandarim, ele escreveu: "A minha avó que me acompanhou nessa viagem tem 82 anos de idade - esse uísque tem 139 anos, mesma idade que minha tataravó teria. Para responder a todos vocês, ele tinha um ótimo sabor. Não apenas sabor, mas história também".

Página da rede social com texto de Zhang
Image captionWei Zhang publicou em uma rede social um texto sobre experiência de beber o suposto uísque | Foto: Reprodução/Weibo

Bernasconi devolveu o dinheiro a Zhang durante uma viagem à China. "Quando eu mostrei os resultados dos testes, ele não ficou bravo. Me agradeceu nossa honestidade e disse que a experiência na Suíça foi muito boa", disse o representante do hotel.

"Quando vendemos nossos uísques antigos e raros, temos o dever de garantir que eles são 100% autênticos e verdadeiros. Por isso mandamos a garrafa para os testes. Os resultados foram chocantes, e nós estamos felizes em poder reembolsar nosso cliente."

David Robertson, cofundador da RW101, que realizou a pesquisa, afirmou que o hotel fez os procedimentos corretos para verificar a autenticidade da bebida.

"Nós gostaríamos de pedir a outros vendedores façam a mesma coisa para checar suas garrafas. Nós temos que usar a inteligência para nos defender de falsificadores que tentam enganar os consumidores."

Fonte: BBC

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