2010-11-16 21:34:00
Antecedendo a Semana da Consciência Negra, a Unidade de Amambai realizou de 3 a 5 de novembro o I Seminário Educação e Diversidade.
Na noite de abertura palestraram os professores Dr. Alfa Oumar Diallo – coordenador do curso de Relações Internacionais da UFGD, que falou sobre A África contemporânea no contexto internacional – e a profa Me. Cintia Santos Diallo (UEMS), falando sobre A cultura dos povos subsaarianos: Fulas, Wolofs, Djolas.
Segundo a professora Suzana Arakaki, o professor Alfa é africano, nascido em Senegal e veio para o Brasil estudar. Formou-se em direito, fez mestrado e doutorado e foi advogado atuante até ingressar na carreira docente, na UFGD. Na palestra o professor apresentou a África como um continente como os demais, com países ricos e pobres. E acrescentou que a imprensa costuma mostrar apenas os países pobres, dando a impressão que na África só existe pobreza e violência.
Quanto às relações com o Brasil, analisou as ações e intenções do Brasil em busca de apoio na indicação do Brasil para o Conselho de Segurança da ONU. A África é composta por 54 países cujo apoio, para este fim, é relevante.
Contando um pouco sobre seu olhar do continente, a profa. Cintia, esposa do professor Alfa, que foi a Senegal para conhecer o país do marido, falou sobre o “descobrimento” de uma cultura totalmente diferente da ocidental, principalmente com relação à família.
Segundo ela, destaca-se um modo de vida harmonioso, de uma sociedade generosa, que compartilha tudo.
Dentre as diferenças culturais, a poligamia chamou a atenção. A professora diz que percebeu olhares diferentes quanto a ela, pois lá, um homem pode casar-se com até quatro mulheres e ela, uma ocidental, tirou o marido de pelo menos outras três moças. Quanto a poligamia, Cintia percebeu que a família convive muito bem entre si. Esposas revezam-se no trato da casa, cuidando de filhos em conjunto, na cozinha e com o marido. “Todas são felizes, e não vi nenhuma com TPM”, acrescentou a professora Cíntia, que mesmo assim disse preferir a monogamia.
Durante o debate que se seguiu às palestras, alunos e professores mostraram-se interessados em vários aspectos da cultura africana e a professora Cintia ainda organizou uma rica mostra de artefatos africanos.
Na quinta-feira, dia 4, foi exibido o filme Quanto vale ou é por quilo, um filme forte, que desnuda a sociedade brasileira, mostrando como os negros são tratados desde os tempos coloniais. O filme alterna cenas do passado e presente. “Este é o nosso navio negreiro”, frase de um preso protagonizado por Lázaro Ramos, em cena que evidencia a forte presença negra nas prisões brasileiras. Ao filme seguiram-se análises e comentários dos alunos Junia e Joel, bolsistas de extensão UEMS e FUNDECT.
No encerramento do evento, dia 5, houve uma fala do egresso da UEMS e indígena, professor Tonico Benites. Após cursar Normal Superior Indígena, na UEMS, fez o mestrado e atualmente é doutorando na UFRJ, sendo orientado pelo antropólogo João Pacheco de Oliveira Filho. Tonico abordou o tema Educação escolar indígena e abriu espaço para um debate sobre o assunto.
Perguntado sobre sua impressão sobre as cotas para indígenas, o professor ressaltou a importância das cotas, oportunidade para que os indígenas possam estudar e se manter no curso superior. “Pra nós foi a festa”, disse. Falou também sobre a importância das ações para permanência dos indígenas. “É muito difícil a permanência do indígena na universidade sem bolsa, ele precisa manter-se”, afirmou.
Falou da cultura indígena, que deve ser respeitada mesmo no âmbito escolar, da reciprocidade que se dá em todos os momentos, seja no âmbito familiar ou até financeiro. “Nós temos necessidade de partilhar tudo, de conviver juntos, conversamos frequentemente, dividimos nossos pertences.”









