Os agricultores Genivaldo Barbosa Amadeu (Eugênio) e Wilmar Bilk cresceram trabalhando na lavoura, e tinham um sonho em comum - ter o próprio pedaço de terra. Ambos foram contemplados pela Reforma Agrária, recebendo lotes no assentamento Foz do Amambaí, situado no Complexo Santo Antônio, há um ano e meio.
Mesmo sem receber recursos para custear a produção, nesse curto período, eles se tornaram exemplo de que as famílias podem tirar da terra não apenas o sustento, mas também gerar renda, por meio do trabalho e da diversificação. “Morando na cidade, se você não tiver dinheiro, não come. Tendo meu lote, posso ficar sem dinheiro, mas não fico sem ter o que comer. Antes eu gastava R$ 200 por mês em frutaria; agora colho meu próprio alimento”, orgulha-se Genivaldo.
A Administração Municipal, através da Secretaria de Agricultura, que está incentivando a diversificação da produção nos assentamentos, realizou um dia de campo, em 22 de junho, para agricultores familiares do Município conhecerem o trabalho realizado por Genivaldo e Wilmar. “As propriedades não foram criadas para serem modelos, mas o trabalho dos agricultores levou a isso”, conta o diretor do Departamento de Agricultura Familiar, Carlos Ferrari.
Genivaldo mora no lote 233, com a esposa e um neto. Além de produzir alimentos para o consumo da família, ele obtém uma renda mensal média de R$ 1 mil, que está investindo na propriedade, comprando mudas de fruta, hortaliças e construindo cerca. Ele conta que tem 900 quilos de feijão, quase prontos para serem colhidos, seis mil quilos de produção de mandioca garantidos e em junho, vendeu 3 mil quilos de milho.
Wilmar mora no lote 54, com a esposa e um filho. Quando recebeu o lote, teve que buscar alternativas de renda, enquanto aguardava o resultado do plantio. Assim, fez um acordo com o vizinho, proprietário de algumas cabeças de gado. Oferecendo pasto, sal e remédio para os animais, em troca, Wilmar tirava leite para vender, chegando a 50 litros por dia. Hoje, o agricultor tem várias outras produções, como, por exemplo, milho, mandioca, cebola, e, também tem planos para o futuro. “Decidi conquistar minha própria terra para ter uma vida melhor. Graças a Deus, tudo o que plantei, colhi. Vou continuar meu trabalho para construir uma casa, um mangueiro para o gado e um barracão de frango”, conta.
De acordo com a prefeita de Itaquiraí, Sandra Cassone (PT), a Administração Municipal vem investindo na diversificação da produção porque isso evita que os agricultores familiares tornem-se reféns de apenas um produto. “Nunca devemos colocar todos os ovos na mesma cesta. Com a diversificação, os agricultores sempre têm renda, pois quando determinados produtos estiverem em baixa, outros estarão em alta. Assim, eles não enfrentarão uma crise como a da aftosa, por exemplo”, avalia.
Ambos os agricultores participam, hoje, de projetos da Administração de Itaquiraí, em que a Secretaria Municipal de Agricultura atende a agricultura familiar. Genivaldo está no Projeto de Apoio e Fortalecimento na Diversificação da Produção Existente na Agricultura Familiar do Município, implantado pela Administração Municipal em parceria com o Ministério da Agricultura, e Wilmar, no Projeto Banco de Sementes, implantado pela Prefeitura Municipal e o MDA. “Com o incentivo que a Administração Municipal oferece hoje aos agricultores de Itaquiraí, as famílias conseguem se manter nos lotes e ganhar dinheiro, a não ser que não queiram”, afirma o vice-prefeito de Itaquiraí e Secretário de Agricultura, Aldo Farina.
Segundo Ferrari, o senso agropecuário realizado pelo IBGE, em 2009, mostra que, apesar de ter menos terras e menos recursos públicos, a agricultura familiar tem grande peso econômico, social e maior sustentabilidade do que o agronegócio.
O levantamento aponta que com pouco mais de 24% da área agrícola do Brasil, a agricultura familiar é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% de feijão, 46% de milho, 38% de café, 34% de arroz, 58% de leite, 59% de suínos, 50% de aves, 30% de bovinos e 21% de trigo. Hoje a agricultura familiar representa 10% do PIB nacional. “40% do que as famílias consomem pode ser produzido no próprio quintal. Os dados impulsionam a Administração de Itaquiraí a investir cada vez mais na agricultura familiar”, ressalta.
Ao todo, 70 agricultores familiares de todos os assentamentos de Itaquiraí participaram do Dia de Campo. O superintendente da CONAB em Mato Grosso do Sul, Sérgio Rios, esteve presente no evento.
PROJETOS
A Administração Municipal atende os agricultores familiares com vários projetos da Secretaria Municipal de Agricultura, incentivando a diversificação da produção, fornecendo orientações e acompanhamento. “Em alguns assentamentos de Itaquiraí as terras são menos férteis do que em outros, mas manejamos o solo para que se torne fértil. Diversificando a produção, pensando inicialmente na subsistência, a fome no campo é 100% eliminada”, explica o agrônomo Hawlyson Alves de Castro.
Entre os projetos da Administração de Itaquiraí estão o de Pecuária Leiteira, Diversificação e Geração de Renda, Banco de Calcário, Banco de Sementes, Banco de Adubo Orgânico, Patrulha Mecanizada, Fruticultura e Viveiro de Mudas.
Fonte: Assessoria