Gazeta de Amambaí

Sexta-Feira, 09 de Março de 2018 às 14:58

Condenado acusado de matar filho durante “roleta russa”

Julgamento que resultou na condenação do réu a 23,6 anos, durou cerca de 8 horas. Homem que já tinha passagens pela polícia, disse que disparo foi acidental.

O promotor de justiça, Dr. Luiz Eduardo, mostra aos jurados o revólver utilizado para cometer o crime. Conselho de sentença acatou em grande maioria a tese do Ministério Público. (Fotos: Vilson Nascimento)

Vilson Nascimento

Foi submetido a júri popular perante o Tribunal do Júri e condenado a 23 anos e 6 meses de prisão essa semana em Amambai, um homem de 34 anos, acusado de assassinar o próprio filho de 5 anos ao “brincar” de “roleta russa”.

O crime ocorreu em dezembro de 2014 na Vila Nova, em Coronel Sapucaia e chocou a comunidade local pela atitude do pai, que após balear o filho, teria pegado a criança nos braços, supostamente ainda viva, jogado em uma “grota” e após isso ter se dirigido a um bar para consumir bebida alcoólica como se nada tivesse ocorrido.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, baseada nas provas levantadas pela investigação policial e confirmadas por testemunhas ouvidas no âmbito do processo, consta que depois de consumir bebida, José Ladi Vilhagra Barboza, o “Zé” como é conhecido, teria apanhado um revólver calibre 38 de sua propriedade, colocado uma munição no tambor e passado a praticar de “roleta russa”.

Em primeiro momento ele teria apontado a arma para sua enteada, uma adolescente na época com 16 anos, puxado o gatinho, mas a arma falhou. Em ato contínuo ele teria apontado o revólver para o próprio filho e novamente puxado o gatilho. Desta vez a arma disparou, vindo a acertar o menino no abdome, próximo ao peito, lado direito.

Depois de balear o filho, José Ladi teria enrolado o menino em um lençol, obrigado a enteada a limpar o sangue da criança que havia derramado na casa e a ameaçado de morte, caso ela viesse a contar o que havia ocorrido, e saido com o menino no colo para jogar na grota.

Logo após o acusado teria voltado para casa, tomado banho, trocado de roupa e seguido para um bar.

Ele foi detido mais tarde por populares e entregue à Polícia Militar. Apesar das buscas, que envolveu a PM, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e militares do Exército Brasileiro, terem iniciado na noite que o crime ocorreu, o corpo do menino só foi localizado no meio da manhã do dia seguinte tendo em vista ter sido jogado em local de mata e de difícil acesso.

O julgamento

Durante o julgamento, que ocorreu na quarta-feira, 7 de março e teve mais de 8 horas de duração, José Ladi, que antes de assassinar o filho já tinha tido passagem pela polícia por receptação e porte ilegal de arma, crimes cometidos na capital do Estado, Campo Grande, negou ter atirado na criança em ato de roleta russa.

Segundo seu depoimento perante o conselho de sentença, composto por quatro mulheres e três homens da sociedade amambaiense, ele disse que não havia percebido que havia ficado uma munição no tambor e ao limpar o revólver a arma veio a disparar e atingir seu filho.

O réu negou ter ameaçado a enteada e disse também que ao invés de prestar socorro ao filho, decidiu por se desfazer da criança jogando na grota porque teria ficado apavorado.

O Ministério Público (MP), que na sessão do Tribunal do Júri, presidida pelo juiz de direito da 1ª vara da Comarca de Amambai, Dr. Pedro Henrique Freiras de Paula, foi representado pelo promotor de justiça, Dr. Luiz Eduardo Sant’Anna Pinheiro, da 2ª Promotoria de Amambai, defendeu a condenação de José Ladi por homicídio duplamente qualificado pela morte do filho, ocultação de cadáver, tentativa de homicídio por ter apontado a arma contra a enteada e puxar o gatilho, apesar de o revólver não ter disparado e por porte ilegal de arma.

A defesa de Ladi, que foi protagonizada pelo defensor público, Dr. Lucas Colares Pimentel, da Defensoria Pública de Ponta Porã, buscou a descaracterização de homicídio qualificado para homicídio simples, sob a tese de que o disparo foi de fato acidental como narrou o réu e buscou também a descaracterização da tentativa de homicídio contra a enteada.

Os jurados, por sua vez, acataram a tese mantida pelo MP e condenaram o réu em todos os quesitos, exceto na tentativa de homicídio contra a enteada, embora tenham reconhecido que houve o fato.

Segundo o promotor de justiça que atuou no caso, Dr. Luiz Eduardo Sant’Anna Pinheiro, o Ministério Público se deu por satisfeito com o resultado do julgamento ao entender que foi dada uma resposta à sociedade.

Já a Defensoria Pública também entendeu que o trabalho da defesa, apesar da condenação, foi realizado a contento diante das circunstâncias.

José Ladi, que na época dos fatos estava separado da mãe biológica da criança, porém sempre pegava o filho para passar tempos com ele na casa onde morava com outra companheira, ainda pode recorrer do resultado do julgamento.

Caso seja mantida a sentença atual, José Ladi Vilhagra Barboza, que está preso desde a data do fato, ou seja, há três anos, e terá que aguardar o resultado de um eventual recurso na prisão, após cumprir cerca de 9 anos em regime fechado (somando o tempo que já está preso), poderá progredir para o regime semiaberto.

Fonte: A Gazeta News
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